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terça-feira, 22 de março de 2011

"Confesso! As vezes tenho vontade de sair por ai destruindo corações, pisando em sentimentos alheios ou sei lá, alguma coisa que me faça realmente merecer esse meu sofrimento no amor."


Caio F. Abreu, pq ele me entende.

sábado, 8 de janeiro de 2011

(Ao som de Bach pq é esse que traduz).

- Fiz um curso de memorização, e lá aprendi que é bom estudar ouvindo Bach - disse minha colega de trabalho.

Sabem o que eu fiz? Hoje comecei a estudar ouvindo Bach, mesmo que meu namorado tenha falado que não tem nada a ver. Não sei se funciona, mas eu gosto de Bach. Ao mesmo passo que não ajuda, também não atrapalha. Fora que é ao som de Bach que as recordações vem à tona. Claro, o capítulo do Ginzburg ajuda mais ainda.

Um pouco mais cedo entrei no messenger, e minha bff (dando uma de miguxa que assiste, sei lá, Sex and the City) que está fazendo Mestrado em Portugal veio falar comigo. O diálogo foi mais ou menos esse: 

Carol'sss: E aí, como você está?
Uéslian Roriz - Eu quero defender toda aquela corrupção: uma pilha de nervos
insegura tb
prova pro mestrado semana que vem :(
Carol'sss: sério???
Uéslian Roriz - Eu quero defender toda aquela corrupção: sério
Carol'sss: você vai se sair bem
relaxa
relaxa mesmo
você sempre foi boa no que fez

Todos já me diziam que eu me sairia bem, que sou inteligente, que não era para eu me preocupar, porém foi somente com as palavras de Carol que me toquei. E não foi um me tocar do tipo "uhuuu já estou dentro do mestrado!" e sim um que, apesar de estar consciente das chances de não passar (o que sempre estive), também me deixa consciente das chances de conseguir, o que realmente me estava faltando. Foi a frase "você sempre foi boa no que fez" que me despertou para o princípio básico de que temos sempre 50% de chances de acertar e 50% de chances de errar, e se é isso que sei fazer (e que quero continuar fazendo), tenho que dar a cara à tapa. Como já disse minha tia: "Só erra quem tenta". 

Esperemos.





"Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente, eu sou, e se não for, me farei." (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A foto da "capa" do blog foi tirada por mim, em minha casa no mato no interior do Goiás. 

Vou contar um segredo: Tenho medo de qualquer coisa alada. Tenho medo de passarinhos, borboletas, mariposas e outros animais voadores. Quando um pássaro voa em minha direção, entro em pânico, grito, faço escândalo.

Aí a mariposa apareceu em nossa casa e as crianças entraram em euforia. Fabricio, como bom biólogo, foi dar o seu parecer. Sem medo algum pegou a mariposa nas mãos e ficou "brincando" com ela. As crianças não tiveram medo de se aproximar, e quando vi já estavam fazendo carinho na mariposa também. Que vergonha, meu sobrinho de dois anos não teve medo de tocar na mariposa, enquanto eu só ficava olhando de certa distância. 

Mas confesso que a cena estava realmente bonita. A cena do meu namorado cercado de crianças, com a mariposa voando ao redor dele, me transformou em uma namorada babona. Ela saía de sua mão e pousava em seu ombro, seu braço, sua orelha. Pelo visto a mariposa achou o Fabricio irresistível. Partilho da sua opinião, o acho irresistível também.

O momento tão bonito me fez esquecer, por alguns minutos, que eu tinha medo. A vontade de fotografar o meu namorado e as crianças com o bichinho era maior do que o medo. Nem me dei conta que lá para as tantas, eu já estava entre eles também (mas claro, sem tocar na mariposa).

Aqui estão algumas fotos: 




O que ela quer de mim é coragem, já disse o João. E eu faço de conta que sou corajosa. Mas faço tão bonito, que ela até acredita. ("Pequena" Cristiana Guerra)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Faltam quatro páginas de Jacques Revel e umas doze de Roger Chartier. Se conseguirei terminar? Sim, conseguirei. Eu sempre consigo terminhar uma resenha, ou duas, ou três. O Ringo dorme na cama. Hoje entrei em contato com três seres humanos: a Bel, minha mãe e meu namorado, mas hoje sou toda do Ringo, respiro o Ringo, Ringo é minha rinite sentimental.

Tento procurar inspiração para inscrever um texto. Procuro qualquer vestígio de sentimento. Tenho sentimentos, eles afloram, mas não consigo escrevê-los. Acho que ligarei para alguém perto da meia noite.

Eu quero entrar no mestrado, é só o que consigo pensar. Me penalizo a cada hora que não estou estudando. Estou me penalizando agora.

O último filme que vi era sobre uma bailarina que insandecia. Consegui assisti-lo inteiro e sem legenda, pontos para mim. A última vez que escrevi um texto foi sobre a TFP. Há quanto tempo não escrevo algo sem qualquer pretensão social, intelectual ou militante? Hoje cansei de ser militante. Queria só sentir, e talvez descrever sobre as sensações.

Eu sinto fome e tenho preguiça de cozinhar. Quero uma coca-cola. Não, não é sobre esse tipo de sensação que eu deveria escrever. Eu quero romance, mas já tenho, já o vivo, porque escrever sobre ele? Poderia escrever sobre amores inventados, mas estes foram superados e enterrados, bem no fundo do quintal. Eu sinto a necessidade de ser eu mesma, mas quem diabos eu sou? Eu sinto a necessidade de me sentir (não estou falando de masturbação, ô machinho do piupiu duro!). Sabe, de me encontrar e me reconhecer. Não me reconheço. Sou uma prostituta acadêmica que talvez esteja em seu ensaio de morrer para a vida. Talvez...

Vou largar a especialização, aconteça o que acontecer. Vou entrar na UnB nem que seja como aluna especial. Serei devorada por todos os cérebros infinitamente superiores ao meu, para um dia ter um cérebro superior também, e quando eu envelhecer não pintarei os cabelos. Não precisarei de vaidade, não precisarei de dinheiro, não precisarei de nada. Somente de uns livros velhos.
Ó galera, estou morrendo.
 
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